Orientações gerais para as COAAs

Introdução

O texto que se segue foi elaborado a partir de apresentações realizadas por Coordenadores de Cursos de Graduação, membros das Comissões de Acompanhamento e Orientação Acadêmica – COAAs – e Dirigentes de Unidades Acadêmicas da UFRJ nas reuniões do Fórum de Boas Práticas de Apoio aos Estudantes, realizadas ao longo de 2017, assim como nos respectivos debates que se seguiram. É um conjunto de sugestões e relatos de base empírica que visam à socialização de experiências bem sucedidas de apoio aos estudantes empreendidas por essas instâncias, que tem, como objetivo, facilitar e fortalecer o trabalho das COAAs.

O acompanhamento acadêmico e a orientação acadêmica são elementos-chave para a permanência dos estudantes e seu desempenho na Graduação. A Pró-Reitoria de Graduação defende uma política de apoio integral aos estudantes que inclui, além dos aspectos acadêmicos e pedagógicos, ações de natureza social e cultural, de apoio à saúde e de infraestrutura.

 

O Fórum de Boas Práticas

O Fórum de Boas práticas foi criado como um passo importante no caminho do fortalecimento e do apoio às COAAs iniciado com a Resolução CEG 02/2016, e se soma às muitas iniciativas e experiências realizadas e mantidas por muitas instâncias acadêmicas da universidade. Esta resolução  indicou uma alteração na composição dessas comissões, com a inclusão de representação estudantil, da formalização e ativação do Corpo de Professores Orientadores e da obrigatoriedade de ampla divulgação dos horários de suas reuniões.

Em conjunto com a nova regulamentação, foi divulgada e debatida, em reuniões presenciais entre a PR1, Coordenações de Cursos e COAAs, a orientação de instaurar-se uma política de “Luz Amarela”, ou seja, a prática de identificarem-se os alunos em situação de fragilidade acadêmica e sua convocação para uma reunião com seu Orientador Acadêmico e a COAA, para a prevenção de situações de risco de abandono do Curso ou de jubilamento com a intervenção no âmbito acadêmico.

 

Apoio aos estudantes: uma proposta de integração

Nesse contexto, colocou-se a necessidade de integração entre as diversas dimensões das necessidades de apoio aos estudantes, como a identificação de necessidades de ordem social, de saúde e da infraestrutura disponível nos cursos. Ao mesmo tempo, foram sendo instituídas novas instâncias de apoio e houve mais integração entre as instâncias já existentes e a PR1, tendo, como principais exemplos, o  Grupo de Trabalho de Saúde Mental e a maior articulação com o Fórum de Acessibilidade, hoje fortalecido  com a criação da Diretoria de Acessibilidade, ligada ao Gabinete do Reitor, e da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, que sucedeu a Superintendência de Assistência Estudantil.

 

Condições Gerais do país e das Universidades Federais

O trabalho de fortalecimento das ações de apoio aos estudantes vem se dando, na UFRJ, sob condições gerais bastante difíceis, nos planos político e econômico. Os cortes no orçamento da UFRJ, da ordem de 30%, geram imensas dificuldades para a manutenção das diversas bolsas de apoio assistencial e acadêmico para os estudantes de graduação, para a recuperação da Moradia Estudantil e sua expansão e para o oferecimento de melhores condições prediais para estudo e de transporte, que não vêm sendo atendidas plenamente em sua demanda. Somam-se a esse quadro os efeitos ainda presentes decorrentes do não provimento das verbas orçamentárias e de vagas para Docentes e servidores Técnicos Administrativos na proporção necessária para a manutenção e melhoria das condições de trabalho e estudo após a expansão da oferta de vagas para estudantes implementada após a adesão da UFRJ ao REUNI.

A adesão da UFRJ ao sistema de cotas – política cuja implantação que consideramos correta, e que, em nossa avaliação, mudou para melhor o perfil social da Universidade, aproximando-o do perfil  médio da sociedade brasileira  –, tampouco se fez com a correspondência, na mesma proporção, dos recursos necessários para o correto e integral acolhimento dos estudantes quotistas, com destaque para os de baixa renda, por meio de bolsas, oferta de alojamento e outras medidas. A entrada em vigor, no sistema de Acesso, da nova cota para estudantes que se enquadram na categoria Pessoas com Deficiência – PCDs –, de adesão compulsória e que se deu, igualmente, sem a devida correspondência com a oferta dos recursos financeiros e de pessoal necessários para o pleno atendimento de suas necessidades, tanto no que tange às instalações prediais, de equipamentos e de pessoal qualificado e especializado para o atendimento dos diversos tipos de necessidades desse contingente de estudantes, coloca-se no mesmo rol de dificuldades a ser enfrentadas no sistema de cotas.

 

Quadro Geral do funcionamento das Comissões de Orientação e Acompanhamento Acadêmico – COAAs.

Há padrões diferenciados de funcionamento das COAAs na UFRJ, que, em geral, oscilam entre:

1) um padrão centrado na verificação do cumprimento, ou não, pelos alunos, das regras para a sua permanência no curso – como o número máximo de três reprovações em uma mesma disciplina, o respeito ao número máximo de períodos para a integralização do curso e a não-ultrapassagem, pelo estudante, de mais de três períodos seguidos com o Coeficiente de Rendimento (do período) menor que 3,0;

2) um padrão em que, feita a verificação da condição de fragilidade do aluno e do risco de haver jubilamento, o aluno é chamado para uma reunião com a COAA, na qual podem ser-lhe colocadas possibilidades de recuperação com a formalização de um acordo para a superação do quadro envolvendo a priorização de disciplinas a serem cursadas e prazos para a reversão da situação;

3) um padrão de acompanhamento preventivo dos casos em que há a identificação de vulnerabilidades, já nos primeiros períodos, havendo, em seguida, a devida orientação acadêmica para que seja evitada a situação crítica; e

4) um padrão de acolhimento mais geral do estudante ao curso, onde a COAA faz a ligação com as instâncias de apoio social e de saúde.

Por parte do alunado, em geral, verifica-se a presença de uma Cultura de não busca de orientação e apoio às COAAS. Esse comportamento pode ser explicado pelo desconhecimento, pelos alunos, das características e dos procedimentos ou mesmo da própria da existência das Comissões. Outras causa verificada é a impressão, comum a muitos discentes, de que a  COAA é uma instância punitiva  e não trabalha para efetivamente apoiá-los.

Essa cultura de não busca de orientação junto às COAAs pode também ser explicada pelo grande distanciamento que ainda há, em muitos cursos, entre docentes e alunos.

 

Quadro geral de dificuldades enfrentadas pelos estudantes de Graduação

Entre as muitas dificuldades enfrentadas pelos estudantes de Graduação, podemos citar:

1) Para os períodos iniciais:

- o significativo “Gap” existente entre Graduação e Ensino Médio, quanto ao nível dos conteúdos, formas de apresentação / construção do conhecimento / pedagogia em geral, volume de estudo necessário e forma de estudar;

- as formas de avaliação, em geral bastante diferentes do padrão predominante no ensino médio;

- as turmas grandes;

- a presença de Cursos com histórico de concentração de reprovações em um conjunto determinado de disciplinas, com destaque para algumas dos períodos iniciais;

- a opção de muitos estudantes de entrar na universidade em cursos de demanda menor e histórico de retenção alta, mesmo sem a devida "vocação", o que gera risco de evasão.

2) para os estudantes em geral:

Entre as dificuldades encontradas pelos estudantes em todos os períodos, podemos destacar:

- a presença de dificuldades específicas, intrínsecas a cada às área de conhecimento;

- a expectativa dos estudantes de encontrar facilidade no estudo e apoio integral;

- a permanência, em muitas áreas, de uma cultura que não valoriza os aspectos pedagógicos em que a atenção dos docentes centra-se nos estudantes de melhor desempenho;

- o fato de que o sistema matricial funciona sem que, em muitos casos, haja integração de fato entre as disciplinas oferecidas por outras Unidades e o Curso recebedor, seja na ementa ou na integração com o /a respectivo / a docente.

 

Dificuldades para o bom funcionamento das COAAs

Entre as principais dificuldades existentes para o bom funcionamento das COAAs podem ser citadas:

- o fato de que alguns docentes não se vêem como educadores e não demonstram interesse em participar do Corpo de Professores Orientadores;

- o acesso ao Siga e o uso pleno de suas potencialidades;

- a presença, entre os estudantes, de muita desinformação e de uma cultura de medo das COAAs, vistas, em alguns casos, como instâncias apenas punitivas e burocráticas;

- problemas para o reconhecimento da carga horária dedicada  às COAAs para fins de progressão na carreira docente;

- falta de apoio de algumas secretarias acadêmicas;

- desinformação quanto às possibilidades de apoio da Instituição ao trabalho das COAAs.

 

Boas Práticas e Orientações Gerais para as COAAs:

Ações iniciais

Para as COAAs em fase de implantação ou reativação, recomenda-se, primeiramente, a realização de um levantamento, junto ao SIGA:

- do total de alunos matriculados ativos;

- dos alunos com matrícula trancada ou cancelada por abandono;

- dos tempos médios de integralização do curso;

- dos estudantes em situação de fragilidade, com destaque para:

+ os que se aproximam ou já passaram do prazo máximo de integralização;

+ os que apresentam mais de 2 reprovações em uma mesma disciplina;

+ os que apresentam CRA menor que 3.

- das disciplinas com maior índice de reprovação.

Estatísticas básicas devem ser feitas nos temas evasão, retenção, reprovações e outros.

Um levantamento junto aos calouros com questões referentes às razões que levaram à escolha do curso e suas expectativas pode ser feito, assim como junto aos estudantes com matrícula trancada.

Todos os alunos que se encontram nessas condições devem ser chamados para reunirem-se com a COAA.

 

"Luz Amarela"

A partir da implantação / reativação da COAA, recomenda-se o acompanhamento dos alunos entrantes, com a identificação, já ao final do primeiro semestre, dos que tiveram mais de 2 reprovações e, ao final do segundo semestre, com que tiveram mais de 4 reprovações em disciplinas diferentes e 2 reprovações na mesma disciplina.

 

Recepção aos calouros

Nas atividades de recepção aos calouros,  recomenda-se a apresentação do curso, como um todo, com a comunicação da existência do CPO e da COAA e do direito do aluno à Orientação e Acompanhamento Acadêmico, buscando corrigir / superar a cultura do desconhecimento e do temor a essas comissões e criar um “clima” amistoso para a consolidação do trabalho.

Devem ser abordadas, também, nas atividades de recepção e ao longo do curso, as questões de intolerância e preconceitos em geral, destacando-se o racismo, a homofobia, o machismo, a xenofobia, os preconceitos de classe social. Também na recepção aos calouros e ao longo do curso deve ser abordado o adoecimento psicológico que assola a sociedade hoje, atingindo camadas diversas.

 

Boas práticas em geral

Funcionamento regular

As COAAs devem ter funcionamento regular, com sua representação plena,  em horários fixos. Uma página eletrônica do Curso deve ser mantida, contendo informações gerais sobre o Curso, como prazos, horários, monitoria, grade curricular, e da COAA, como contatos da PR7, da Diretoria Acessibilidade (DIRAC) e da Divisão de Saúde do Estudante (Disae - PR7).

A COAA deve reunir-se periodicamente com o Conselho de Curso / Núcleo Docente Estruturante.

Deve ser priorizado o atendimento dos casos de mais vulnerabilidade.

 

Integração com a PR1, PR7, Fórum e Diretoria de Acessibilidade, Disae e outras Instâncias da UFRJ

Todos os casos envolvendo questões de acessibilidade, saúde física e mental e questões de ordem social devem ser encaminhados para as respectivas instâncias, que devem ser chamadas para o apoio e a orientação em casos mais gerais, de acordo com sua especialidade.

 

Disciplinas

A COAA deve concentrar as ações nas disciplinas de maior incidência de reprovações.

No caso das Disciplinas de Serviço, oferecidas por outras Unidades, deve ser feita uma reunião com a Unidade fornecedora, para melhor ambientação do docente escalado com as prioridades e características do curso.

 

Monitoria

A Monitoria deve concentrar-se nas disciplinas de maior incidência de reprovações e ser incentivada. Sessões de estudo dirigido devem ser oferecidas também.

 

Turma especial para repetentes

Os repetentes, no caso das disciplinas de maior incidência de reprovações, podem cursar a segunda vez em turma especial, em regime de estudo dirigido.

 

Testes

Nos primeiros períodos, testes devem ser aplicados e corrigidos em sala antes da realização da primeira prova.

 

Uso do SIGA

O pessoal técnico do Siga pode ser convidado para apresentar um "passo-a-passo" com os principais procedimentos para os Coordenadores, Professores Orientadores e Membros das COAAs.
A Coordenação do Curso de indicar, via Siga, para os estudantes, quem é seu Orientador Acadêmico logo no início das aulas.

 

Banco de Práticas

A PR1 manterá, em sua Página, uma sessão com as boas práticas e experiências dos diferentes Cursos e suas COAAs.

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